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Notícia30 de setembro às 15:06

Origen Resources amplia para 68 mil hectares presença em terras raras entre Piauí e Bahia

Mineradora canadense confirma anomalia de 282 ppm em nova área do Nordeste e amplia portfólio, em meio a atrito diplomático entre Brasil e Estados Unidos sobre o mineral estratégico.

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Por Redação

A mineradora canadense Origen Resources confirmou a ocorrência de terras raras em uma nova área entre a Bahia e o Piauí e assinou carta de intenções para adquirir 70% do projeto Campo de Cima, de 33.075 hectares. Com o acordo, a empresa passa a controlar mais de 68 mil hectares distribuídos em oito áreas na região, o que, segundo a companhia, consolida o Nordeste como um novo polo de terras raras no país.

A amostragem de solo no Campo de Cima, com espaçamento de 1,5 quilômetro, resultou em 33 amostras, sete delas com valores elevados de terras raras e pico de 282 partes por milhão de TREO+Y (óxidos totais de terras raras mais ítrio), numa faixa anômala de quatro por seis quilômetros. A mineralização está associada ao Grupo Rio Preto, o mesmo contexto geológico do depósito de Serra Verde, em Goiás, e do projeto Caldeira, em Minas Gerais: depósitos de argila de adsorção iônica, modelo responsável por cerca de 80% da oferta mundial de terras raras pesadas.

Pelo acordo, a Origen pagará US$ 100 mil e emitirá 2 milhões de ações na assinatura, mais US$ 100 mil e 4 milhões de ações no segundo aniversário do contrato, além de se comprometer a investir US$ 1,5 milhão em exploração ao longo de dois anos. O proprietário original do terreno mantém royalty de 2% sobre produção futura, metade recomprável por US$ 1,5 milhão antes do início da produção comercial, com prazo de exclusividade de 150 dias para a devida diligência. Em comunicado de 24 de setembro, o presidente-executivo da Origen, Gary Schellenberg, afirmou acreditar que "o Nordeste do Brasil é, de fato, um novo polo de terras raras" e que a empresa está "entre os primeiros" a ocupar essa fronteira. Quatro dias depois, a companhia informou também avanços no projeto Picos, no Piauí, voltado a camadas de fosfato com terras raras, onde busca 90% de participação e já concluiu a primeira fase de amostragem, com 328 amostras coletadas.

Para dimensionar a diferença de estágio entre os projetos que disputam esse mercado no Brasil, a operação mais avançada do setor até agora é a compra da Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões pela americana USA Rare Earth, negócio com aporte ligado ao Pentágono aprovado pelos acionistas em agosto. Enquanto Serra Verde já está em produção industrial de terras raras pesadas, a Origen segue em fase de confirmação geológica e negociação contratual, sem garantia de que a opção de compra será exercida ao fim da devida diligência.

Esse descompasso de estágio reflete um paradoxo maior do setor mineral brasileiro: o país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas (quase um quarto do total global), mas respondeu por apenas 0,5% da produção mundial em 2025, cerca de 2 mil toneladas, ante 270 mil toneladas da China, que concentra mais de dois terços da oferta global. É esse hiato entre reserva geológica e capacidade industrial instalada que atrai mineradoras juniores estrangeiras como a Origen para o país antes mesmo de o Brasil consolidar sua própria cadeia de processamento.

O avanço de empresas estrangeiras sobre depósitos brasileiros de terras raras ocorre em meio a atrito diplomático entre Brasília e Washington sobre o tema. Segundo coluna de Reinaldo Azevedo publicada no Metrópoles, o deputado federal Flávio Bolsonaro discursou na conferência conservadora americana CPAC, no Texas, em 28 de março, afirmando que o Brasil poderia ajudar os Estados Unidos a reduzir sua "dependência de minerais críticos, sobretudo terras raras, da China". A coluna relata ainda que a Rockbridge Network, fundada pelo vice-presidente americano J.D. Vance, abriu operação no Brasil com planos de contribuição batizados "Keystone" (US$ 500 mil ao ano) e "Visionary" (US$ 1 milhão), aceitos em criptomoeda, ações de empresas ou trusts, e que o deputado estadual André Marinho (Novo) elaborou, em 19 de março, uma apresentação sobre uma aliança Brasil-EUA em minerais críticos, tendo se encontrado com Vance em abril. O deputado federal Lindbergh Farias (PT) protocolou no Supremo Tribunal Federal um pedido de apuração sobre possível financiamento eleitoral estrangeiro ligado ao caso.

Enquanto essa disputa política segue sem desfecho, o dinheiro de mineradoras juniores já está no terreno. O governo brasileiro sancionou em 16 de setembro a Lei 15.506/2026, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, e tem condicionado o avanço de negociações de cooperação com os Estados Unidos à consolidação desse marco regulatório. Para quem acompanha o setor mineral, o caso Origen ilustra um padrão que tende a se repetir enquanto o país ajusta suas regras: companhias estrangeiras avançam contratualmente sobre áreas de potencial geológico já comprovado antes de o Brasil decidir, na prática, como vai regular e taxar a exploração desses minerais.

O Serviço Geológico do Brasil se reuniu em abril com o governador do Piauí, Rafael Fonteles, para discutir o mapeamento mineral do estado. O resultado da devida diligência da Origen sobre o Campo de Cima, que vai definir se a opção de compra de 70% é exercida, deve sair dentro dos 150 dias contados a partir da assinatura da carta de intenções.

Nota ao editor: a fonte Metrópoles é uma coluna de opinião (Reinaldo Azevedo), não uma reportagem factual isolada; os fatos políticos citados (CPAC, Rockbridge Network, petição no STF) foram atribuídos diretamente à coluna e não confirmados de forma independente nesta apuração.

Fonte original: Metrópoles

Origen Resources#Terras raras#Piaui#Bahia
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